Oratória.

A palavra e seu poder diverso de encaixe.
A seguir repasso o escrito que fiz para pronunciar na solenidade da minha formatura de segundo grau, a qual fui escolhida para representar a oradora das turmas. Foi com muito carinho e palavras escolhidas pelo meu coração que construí este texto e o proferi na cerimônia de colação de Grau das turmas da Escola Estadual Professora Iracema Brandão de Araújo.





Primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos e convidar aos meus colegas e os demais presentes a uma reflexão. Esforcei-me para que minhas palavras expressassem o pensamento das Turmas.
Ao tentar iniciar este escrito me perguntei: Do que vamos sentir saudade? Fiquei muitos minutos perplexa pela ideia de que os sentimentos negativos, por tudo que passamos este ano, teria me tirado o encanto da conclusão do segundo grau e me vi num entrave de palavras.
No entanto, resolvi olhar pelo começo de tudo. E nesta viagem encontrei todos vocês.
A minha turma foi reunida como se encontra agora no último ano. Mas, durante três anos estivemos juntos intensa ou indiretamente; nesta última etapa do curso, principalmente, escalamos e edificamos dificuldades, nos deparamos com problemas escolares graves, construímos divergências e estabelecemos limites de amizade. Apesar disso, as circunstâncias da vida nos uniram por interesses mútuos e a característica que tiro dessas particularidades é que embora muitos fatores nos tenham afastado fomos fortes em expor nossas ideias e principalmente humanos ao respeitar e conviver com as diferenças. E mesmo com todos esses diferenciais, guardo no coração pelo menos uma característica boa de cada um de vocês. Digo-lhes com toda certeza que esse trajeto andado, a qual não damos muita importância agora, não foi fruto de meras prerrogativas individuais, pois nenhuma pessoa constrói-se sozinha, ela soma-se à presença de cada um, à autenticidade de cada um, à participação de cada um.
Hoje representa, por todos os sentidos, o fim de uma caminhada, pra mim e pra maioria, se assim Deus permitir, concebe um fim para que se possa fazer um novo começo; para os que não pensam assim, vos invoco a noção de que todos nós somos jovens e na qualidade de jovens, somos incompletos, e na qualidade de incompletos, somos o futuro e na qualidade do representar o futuro somos os únicos que podemos sonhar, planejar e construir. Caros secundaristas, já dizia a famosa frase: “Cada sonho que deixamos para trás é um pedaço do nosso futuro que desistimos indiretamente”. O nosso medo destrói ou constrói, tudo depende das nossas escolhas, estas representam os nossos verdadeiros limites. Peço-lhes que não desistam de lutar pelos sonhos, de renová-los, buscá-los, reconstruí-los. Todos somos os participantes ativos da vida, e principalmente os únicos capazes de realizar nossos anseios, responsáveis por aquilo que fazemos e pelo que nos transformamos, independentemente das adversidades. Nosso sucesso é a sombra do que concretizamos.
Somos concluintes de uma fase, todavia ainda há muito a aprender. “E, por tudo, a saudade há de ficar.”
A partir de amanhã, imagino que acordarei, lembrarei que posso ficar mais tempo dormindo e isso me dará um alívio em virtude das inúmeras vezes que desejei sumir da escola este ano, mas também sentirei depois uma incrível saudade de ir pra o colégio todos os dias. A partir de amanhã e nas semanas seguintes estarei com amigos mais chegados e a conversa nos fará recordar as personalidades dos ex-colegas. A partir de amanhã e nos dias seguintes, verei os rostos que vi todas as manhãs seguindo caminhos distintos, os verei esporadicamente nas ruas, estarão procurando emprego, ou indo pra faculdade, com certeza sentirei saudade e lembrarei-me das manhãs na escola. A partir de amanhã e nos próximos meses encontrarei nas ruas pessoas que trabalham na escola, os rostos farão recordar-me da fisicalidade do colégio, as salas, os corredores, as experiências vividas e divididas. A partir de amanhã e nos próximos anos meus filhos perguntarão como foi à época da escola e inevitavelmente sorrindo eu vou lembrar de cada um de vocês. 
Bom, em toda experiência vivida sempre existem pessoas ao nosso lado. Aos professores deixo a lição de serem verdadeiramente mestres: Ser mestre não é apenas lecionar, não é apenas prestar o conteúdo sistemático, é ser orientador e influenciador, guia e companheiro, é acreditar e caminhar junto ao aluno, e é sobretudo transmitir a este iniciante os segredos desta caminhada. Ser mestre é se dedicar para se tornar exemplo, é se doar para formar personalidades, é ser fiel para se tornar para o aluno um eterno. Aos verdadeiros mestres deixo nosso agradecimento, esquecendo-me dos diversos aspectos negativos deste ano e levando em conta os momentos de ensino, Deixo agradecimentos também não só aos somente mestres, mas àqueles que, com seus problemas e dores humanas, não foram mestres, mas também passaram por nós.
Agora homenageio aos pais e familiares, não por uma questão recente como a que estamos vivenciando agora, mas por tudo que vivemos até hoje. Não tem como reduzir em poucas palavras a participação, a influência, e a fé de nossos pais e familiares. São eles que nos fornecem os elementos mais preciosos para toda caminhada da vida, são eles os pilares da decepção, os psicólogos da motivação, a esperança quando não há mais esperança, aos quais sempre cumpre a missão de acolher quando precisamos procurar afeto e jurisdição, deixo em nome de todos o obrigado pelos passos dados em conjunto conosco.
Aos amigos ausentes, aos quais não poderia deixar de mencionar, chamo-os de companheiros, amigos no nosso desenvolvimento diário, cúmplices das horas de felicidade, responsáveis por uma boa parcela de toda alegria que existiu.
Para concluir meu discurso não encontro palavra mais significativa e suficiente que um Parabéns. Cada um de vocês sabe o que passou para chegar até aqui. Neste fim reafirmo a capacidade que encontro em cada um de vocês, vamos agora nos despedir com orgulho e seguir rumos diferentes na perspectiva que um dia caminhamos juntos. Desejo que cada um atue no exercício que é a vida da maneira que lhes cabe, com a sensibilidade de encontrar sua responsabilidade na parcela que nos concerne quanto aos rumos que a nossa vida e sociedade tomarem.

Obrigado pela atenção e a paciência. Boa noite! 


2 comentários:

  1. Genial a sua oratória. Gostei demais. É, já estou com saudade da escola :/ rs

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  2. Não sentirei sua falta... estarei sempre perto de você. Beijos, querida

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