sexta-feira, 22 de abril de 2016

Professora esperança

Sempre que releio o poema “a Flor e náusea” de Drummond avisto-me naquela sala de aula. A lembrança é límpida e forte! Reescuto sua voz abraçando aquelas palavras e soltando-as, como quem liberta algo seu para o mundo. Naquele dia, segurei firme na ponta da carteira e não chorei por fora, mas dentro de mim sentia a pungência de um golpeio. Era o verbo se fazendo carne. Era essa força misteriosa, de densidade e pesos tão individuais, porém humanos, porém comum a todos, sendo sentida em um contexto novo, contexto de injustiças. E o cenário era uma escola pública, uma professora afinando vozes poesia. 
Parabéns, mestre Jaécia! Sinto orgulho! 
Eu lhe agradeço, como aluna, por ter escolhido a educação que liberta! Pelo olho no olho. Por ver o processo educacional em seu escopo humanizador, emancipatório, de autoreconhecimento e consciência do outro [...], que alimenta nosso “olhar”, nosso “ser” para que vejamos/sintamos/sejamos melhor a vida. Pela coragem de lutar, como devemos fazer sempre, por uma educação não subordinada às ambições materiais, ao método dos negócios e do capital, por uma educação que não enfileire, ou gradeie o conhecimento e, por conseguinte, seus conhecedores [...]. Como bem disse a Dra. Zuleide Duarte, há professores que são esperança! E como diria Rubem Alves, há professores que veem as asas de seus alunos e se doam, com amor, para encorajar voos na altitude que isso pode significar. É aqui, ao lado de outros mestres esperança, que você está.

“Mestre das incertezas
incógnitas
Mestre das transformações
transfigurações
Mestre de solidões
encontros 
Mestre das insatisfações
teimas
Mestre das incompreensões
dúvidas
Mestre das abundâncias
complicações
Mestre das buscas
das eternas respostas” Jaécia Bezerra de Brito

(Quinze de julho de dois mil e quinze).


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