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Tenho o hábito antigo de sentir palavras. De amar a vida que há nelas. Do meu pé-de-seriguela observava as pessoas passando pela ponte sem que jamais me vissem. Cada uma seguia diferente, cada uma carregava o infinito único que a fazia viver. Eu inventava histórias para aqueles passantes. Condensava o que sentia vago no preciso [inventivo]. Cada palavra era um lar imenso, cujo espaço era preenchido como eu quisesse. Tenho o hábito de pensar sobre as coisas que carrego dentro de mim. Às vezes, pesa. É insustentável. Às vezes é tão leve como um silêncio e tão bonito como uma saudade, como a existência das coisas misteriosas cujas palavras não penetram. Nesse espaço virtual, há um pouco de tudo que não me abandona. Há um pouco do que eu levo. Do que eu sinto.    escrever é sentir a alma devagar.  como flor.
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alinhamentos  e outras questões  da humanidade

Câmara Cascudo e seu eterno retorno. (Tornei-me Cascudiana. 2° Parte).

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Por trás da história que a crônica Cascudiana conta há, especialmente, um Luís da Câmara Cascudo. Há uma crítica junto a uma voz relutante. Um medo que não se desune dos sonhos. Uma amálgama de passado e futuro, preocupação e defesa, interrogação e epifanias. Por trás da crônica Cascudiana há uma cidade, ou, mais exatamente, suas origens. ... Muitos são os aspectos que caracterizam um escritor. Os que escrevem crônicas têm, por fatores históricos, a excelência da filosofia jornalística. Porém, falar das crônicas de Câmara Cascudo é encontrar-se em mar profundo, vasto. É sentir a identidade das raízes mais íntimas e indestrutíveis da alma universal e da alma brasileira, nordestina. A palavra, recurso mágico, lhe serviu de construção materializadora das inquietudes e amores. Sua terra, tudo de mais amplo e vário que lhe pertence, provocou-lhe, acredito eu, em sua natureza indagatória, pesquisadora. Essa terra lhe deu tudo, razões para viver, razões para vivê-la. Definiu o mov...

tempos.

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Era domingo e o céu invernal meio alaranjado fez-me ver aquela terra como um sítio arqueológico de minha própria vida. Parece que cada árvore, compartimento, estrada e recanto oferecia um vestígio do que foi minha criação. Com o sol quase em total epílogo, vi nascer uma lua cuja origem me pareceu teórica demais. Nasceu no leste, vai desaparecer no oeste. Pensei. Porém, houve um tempo em que esperar a total escuridão da noite no sítio dos meus avós representava a êxtase das brincadeiras, o surgimento voluntário dos primos que viravam seres híbridos, ou seja, os lobisomens, na tentativa de suscitar medo, concebia a certeza do dia seguinte onde tínhamos uma jornada de realizações em que nenhuma incorporava responsabilidades. As chuvas torrenciais simbolizavam primeiramente súplicas, com o consentimento dado, à natureza proporcionava o resto. Com certeza era a liberdade. Debruçar-me sobre os perigos que a vida apresentava de forma tão intencional, sistemática e inoc...

Acari, convicções que envolvem vidas em um tempo de certos ou errados.

        Sobre um determinado espaço geográfico as pessoas criam laços afetivos, culturais, étnicos e etc. que promovem ao longo do tempo e, portanto às gerações sequentes, um destino semelhante. Essa analogia constrói o que chamamos de identidade mútua ou nação e são desses conceitos que se edifica um país, um estado, ou uma cidade. Todas as partes do globo terrestre possuem sua história. Acari, minha cidade, também. Com isso, todos nós acarienses somos proprietários de um estoque de bens em comum, sejam eles materiais, imateriais ou naturais, que pertencem a nossa cidade e que representam um valor singular no nosso coração se formos realmente nacionalistas e dignos de expressar uma identidade mútua. Como em cada canto do mundo, a diversidade de valores, conceitos, ideias e pensamentos divergentes também coexistem. A dinâmica da sociedade é aprender a conviver em harmonia e de forma socialmente comunitária mesmo existindo essas dessemelhanças no dia-a-dia. P...

sentir.

      quero molhar os cabelos na velha goteira da casa ir ter com a chuva um abraço e beijo longos
quero ouvir o crepitar da madeira queimando enquanto o vapor de água sobe pelo corpo da manhã e o cheiro do café se espalha quero ver o sol indo embora pela janela enquanto o rádio ressoa uma canção familiar e a vida canta peralta lá fora